Quando um menino de 13 anos, saí de seu bairro pacato na parte oriental de Jerusalém, acompanhado pelo primo mais velho, para matar judeus a facadas, é necessário repensar as reais raízes do terrorismo. Afinal, não se tratam de guerrilheiros profissionais, como os integrantes do Hamas; são jovens e crianças motivados por outras razões, porém, quais?

Avi Issacharoff, reporter do TOI, esteve no bairro árabe de Jabel Mukaber, Jerusalém oriental, de onde saíram dois palestinos que realizaram ataques terroristas em Jerusalém, deixando três israelenses mortos em outubro. Ele entrevistou jovens e crianças para entender o porquê da recente onda de violência.

Um grupo de crianças, com rostos escondidos por detrás de lenços, atiraram azeitonas em direção ao jornalista. Depois de muita discussão, concordaram em serem entrevistadas. Elas, todas menores de 10 anos de idade, se auto-proclamaram “bons terroristas”, porque acreditam que a causa que defendem é justificável. Quando perguntadas quais são as causas, não souberam ao certo responder. Porém, aos poucos, saíram afirmações como “os colonos danificaram a mesquita de Al-Aqsa” ou “os Judeus roubaram nossas terras”.

Do bairro em que vivem, saíram vários atentados, como no ano passado, que causaram a morte de 5 judeus na sinagoga de Har Nof. Muitos dos seus familiares ou conhecidos foram presos por jogar pedras, fazer protestos violentos ou se envolverem em outras confusões com o exército de Israel. Para estas crianças, os palestinos que cometem atentados em Jerusalém, são verdadeiros heróis.

A maioria destas crianças frequentam escolas públicas de Jerusalém, cujo material didático é controlado pela municipalidade, sendo, portanto, pouco provável que sejam doutrinadas nas escolas. A alternativa mais provável, então, é a proliferação de material de ódio nas redes sociais e a influência de palestinos mais velhos.

Confome dito aqui, por Bassen Edi, a população palestina está desiludida, vivendo entre a desacreditada atuação do governo de Abbas e sob o alcance das mãos fanáticas do Hamas. Soma-se a isso um estado psíquico alucinatório de extremismo religioso, e uma forte campanha de incitamento à violência na internet palestina. Para piorar, Abbas recusa-se a conversar com Netanyahu, sendo todas as esperanças, para um diálogo, depositadas na próxima visita de Kerry à região.

Nos últimos dias observamos que, embora a sensação de segurança tenha melhorado, novos ataques, agora em Beer Sheva, mostram que mais do que medidas preventivas, o governo israelense tem que agir, rapidamente, na desmistificação das acusações de que alterará o status quo na esplanada das mesquitas e assegurar que não danificará a mesquita de Al-Aqsa. Dois terços dos árabes-israelenses concordam que esta é a solução mais viável para o momento, conforme pesquisa de opinião divulgada no Canal 2.

Evidentemente que a situação palestina demanda muito mais do que isso. Porém, para que haja o retorno ao diálogo, é necessário dar um basta nesta onda de violência, e com certeza, a solução não é fogo contra fogo.