Seria cômico, se não fosse trágico: o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, condenou os ataques terroristas na França, que deixaram 129 mortos e centenas de feridos. Hassan disse “Nós, do Hezbollah, expressamos nossa condenação aos ataques do ISIS em Paris, França”. O Estado Islâmico é uma milícia Sunita, ou seja, inimiga do Hezbollah, que é Xiita.

Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, condena os ataques terroristas na França.

Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, condena os ataques terroristas na França.

O Hezbollah é uma milícia fundamentalista islâmica xiita com sede no Líbano, apoia o governo de Assad na Síria e tem laços de amizade com o Irã. Surgiu em meados da década de 80 como um movimento de resistência a Israel, participou na Guerra Civil Libanesa e teve seu comando militar treinado pela Guarda Revolucionária Iraniana, tendo como um dos principais lemas: “colocar um fim nas entidades colonialistas” – em referência a Israel, claro.

O Hezbollah, além de ser conhecido por diversos movimentos sociais no Sul do Líbano, possui uma rádio e um canal de televisão. No turbulento período de protestos contra o governo libanês de 2006-2008, o Hezbollah assumiu o controle de diversos bairros de Beirute ocidental. Após anos de negociações políticas, finalmente, o Hezbollah formou um governo de unidade nacional, tendo um ministro e 11 dos 30 assentos no parlamento libanês.

Pelo fato de ter recebido ajuda financeira de Assad na Síria, o Hezbollah se viu forçado a apoiar o Governo na guerra civil síria que já deixou milhares de mortos e milhões de refugiados. Com a volta do Irã aos contornos políticos da região, após o tratado nuclear com os EUA e o fim das sanções econômicas, o Hezbollah, aliado do Irã, e gozando de popularidade local, vê-se renascido no Oriente Médio.

Interessante que o mesmo Hezbollah que condena os ataques terroristas na França, considera os ataques palestinos em Israel uma forma de militância.