A União Europeia acaba de aprovar a resolução que rotulará produtos israelenses produzidos na Cisjordânia. A decisão levou à fúria o governo, principalmente, a ala conservadora, onde alegam que o rótulo é similar à estrela amarela que identificava Judeus durante o holocausto.

O rótulo se aplicará aos produtos produzidos nas regiões anexadas por Israel após 1967, incluíndo as Colinas de Golan e Jerusalém Oriental. Nele deverá aparecer os escritos “Made in the West Bank or Golan” e ainda conter as palavras “Israeli Settlement”.

O Ministério do Exterior de Israel chamou seu diplomata de volta para consulta, e disse que a ação da União Europeia afetará os laços entre os países e que esta medida é arbitrária, uma vez que, outros 200 países possuem disputas territoriais no mundo.

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Trabalhadores palestinos em um fábrica situada no Vale do Jordão, 11/11/2015, foto: Melanie Lidman/TOI.

Embora a União Europeia considere o Saara Ocidental ocupado pelo Marrocos, os produtos produzidos na região não são rotulados. Erik Hagen, ativista do Saara Ocidental Resources Watch, disse que “Quando comparamos os produtos do Saara Ocidental e da Palestina, observa-se uma clara política de dois pesos e duas medidas no comportamento da União Europeia e isso está corroendo sua credibilidade”.

A União Europeia toma um passo político em favor do boicote de produtos Israelenses, dando apoio à bandeira do BDS e dificultando os tratados de paz para o estabelecimento do Estado palestino, visto que Israel concorda em desmantelar os assentamentos, caso a segurança do país seja garantida.

Hanan Pasternak emprega mais de 100 Palestinos em uma estufa de pimentas, 11/11/2015, Foto: Melanie Lidman/TOI.

Embora simbólica, visto que a mudança afetará menos de 1% da balança comercial Israel-União Europeia e valerá, inicialmente, somente para produtos agrários, politicamente, a resolução dá um suposto suporte à causa palestina. A medida poderá levar a perca de emprego de milhares de palestinos que trabalham nessas fábricas, com efeito similar as consequências do BDS expostas aqui.

Existem 14 zonas industriais com quase mil fábricas na região da Cisjordânia. Estima-se que mais de 15,000 palestinos trabalhem nestas fábricas, recebendo mais do que o dobro que um palestino recebe em outras fábricas controladas pela Autoridade Palestina.