Há mais de 200 anos que os ideais iluministas derrubaram a monarquia absolutista que governou a França durante séculos. Milhares de franceses se uniram para depor o regime monárquico, autocrático e religioso e instituir uma nova sociedade fundamentada nos principios de liberdade, fraternidade e igualdade, resultando em uma França secular, nacionalista, democrática e fundamentada no direito à propriedade.

Inspirados na escola iluminista de John Locke, Montesquieu, Voltaire, Immanuel Kant e outros, a revolução francesa difundiu o secularismo através do globo, e fomentou o estabelecimento das repúblicas e democracias liberais da idade contemporânea.

O recente ataque terrorista de 14 de Julho foi mais do que um simples ato contra o povo francês; ele representa um ataque aos ideais democráticos, de igualdade, liberdade e respeito à diversidade que regem os países modernos de hoje. Pois o ataque ocorreu exatamente no dia em que a população francesa celebra a Queda da Bastilha; Considerado o dia Nacional da França, o evento representa o inicio da Revolução Francesa ocorrida em 1789.

Uma França Islâmica

A França de hoje possui uma nova demografia:  tornou-se o país que possui a maior população islâmica no Oeste Europeu. São mais de 6 milhões de muçulmanos, convertidos ou oriundos, principalmente, de países do Norte africano, representando quase 10% da população nacional.

Com o crescimento da população islâmica, cresceu, também, o antissemitismo.

Ocorreram  diversos incidentes contra a comunidade judaica nos últimos anos, sendo o pior deles o ataque terrorista a um supermercado kosher que deixou 4 pessoas mortas no ano passado. Desse modo, a população judaica na França migrou em massa a Israel, procurando por um lugar mais seguro e acolhedor.

De acordo como jornal Haaretz, somente no ano de 2015, mais de 8,000 mil pessoas deixaram a França, vindas, principalmente, do reduto cosmopolita parisiense. A quantidade de imigrantes franceses equipara-se somente a ucraniana, que durante aquele mesmo ano, enfrentára crise política e de segurança devido à guerra da Crimea.

Omissão Injustificável

A imprensa europeia omitiu o fato de Mohamed Lahouaiej Bouhhel, o motorista do caminhão responsável pelo massacre em Nice, ser muçulmano. Segundo Bill Donohue, essas foram algumas das manchetes mais comuns sobre o episódio que deixou 84 mortos, incluindo 10 crianças, e feriu mais de cem em Nice, na Riviera Francesa:

  • “Um francês de ascendência tunisiana dirigiu um caminhão através de uma multidão …”.
  • “Terrorista francês-tunisiano identificado”
  • “Ataque com um caminhão na França mata pelo menos 80”
  • “Ataque em Nice: Motorista do caminhão identificado como um Francês-tunisiano de 31 anos”

Foram raras as manchetes que identificaram o motorista como muçulmano. A pesquisa concluí que uma busca rápida no Lexis-Nexis retorna 162 artigos sobre o massacre, e somente 108 deles mencionam a procedência  da Tunísia. Embora diversas testemunhas tenham ouvido  o motorista gritar “Allahu Akbar”, apenas 19 reportagens mencionam o fato.

A História se Repete

Depois do ataque terrorista à revista Charlie Hedbo, que matou 12 pessoas, milhões de franceses foram às ruas contra a intolerância islâmica, levando cartazes com os dizeres “Je Suis Charlie“. Logo, as principais metrópoles ao redor do globo, também promoveram manifestações semelhantes.

Entretanto, no desdobramento da questão, diversos veículos de imprensa propagaram a idéia de que os editores e cartunistas da revista tinham  culpa na tragédia. Afinal, a revista humorística critíca, acidamente, a religião islâmica e expõe caricaturas de Maomé. Com isso, a revolta contra a intolerância dissipou-se.

Tamanha negação, que chega às raias do surreal, empenha-se em distorcer os fatos para disfarçar a conexão dos atentados com o extremismo islâmico e materializou-se, nada mais que, na voz do homem mais poderoso do mundo: Barack Obama. O presidente americano preferiu culpar a arma do terrorista autor do o massacre de Orlando, e não quem apertou o gatilho. Até mesmo o FBI omitiu trechos em que o fanático, que matou dezenas no atentado, citava o Alcorão e declarava seu apoio ao Estado Islâmico.

Chega à  beira do absurdo, também, o pronunciamento do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, sobre o massacre em Nice. Ele disse que “A França deve aprender a conviver com o terrorismo”, declarando, em alto e bom som, a rendição da França ao terror islâmico.

No dia seguinte ao massacre de Nice, o jornal de grande circulação, The Daily Telegraph, publicou a seguinte capa:

Daily

Observe que Israel não está na lista, mesmo sendo constante alvo de ataques terroristas.

Desde 13 de setembro de 2015, onde deu início a onda de violência palestina, ocorreram inúmeros esfaqueamentos, ataques a tiros, atropelamentos intencionais e uma bomba que explodiu em um ônibus em Jerusalém, totalizando dezenas de israelenses mortos e centenas de feridos. Entre os mortos, estavam crianças, mulheres e idosos. Alguns ataques exarcebaram a crueldade com que foram cometidos, como o mais recente, em que uma menina de treze anos de idade foi esfaqueada por um terrorista palestino enquanto ela ainda dormia dentro de casa.

Não adianta maquiar: a hipocrisia que excluí Israel desta lista, que está presente nas declarações de Valls, de Obama, que distorce a realidade e omite o terror islâmico das manchetes dos principais jornais, é a mesma que explica o porquê do “mundo lamentar outro ataque terrorista”.

Acenderam as luzes da torre Eiffel com as cores da bandeira francesa, em homenagem às vítimas deste terrível massacre, porém as luzes que fomentaram esta sociedade moderna e vibrante, estão apagadas já faz algum tempo. Está mais do que na hora de reacendê-las.

Colaboração: Ana Maria Piazera-Davison.