Depois de um silêncio ensurdecedor em relação à insana onda de violência palestina em Israel das últimas semanas, Diogo Beócito, do blog Orientalíssimo da Folha, decidiu publicar duas matérias sobre o controverso discurso de Netanyahu em um congresso de líderes sionistas da semana passada.

Os artigos de Beócito podem ser lidos aqui e aqui.

Netanyahu disse que “Hitler não queria exterminar Judeus na época. Ele queria expulsá-los.” acrescentando, ainda, que Haj Amin al-Husseini, líder árabe-palestino durante o mandato britânico com o título de Grande Mufti, conhecido por discursos antissemitas e acusado de participar em dezenas de ataques terroristas contra Judeus, encontrou com Hitler e recomendou que, ao invés de expulsar Judeus da Alemanha, que os “queimasse”, evitando, assim, a vinda de milhões deles para a Palestina.

A hipótese de que Husseini teve influências em Hitler foi levantada por alguns historiadores e estudiosos do assunto, sendo abordada por David G. Dalin e John Rothmann, no livro Icon of Evil: Hitler’s Mufti and the Rise of Radical Islam, e criticada por grande parte dos pesquisadores do Holocausto, principalmente no argumento de que os ideais nazistas foram passados de Husseini a Arafat.

É inegável o entusiástico apoio do Grande Mufti à macabra Solução Final orquestrada pelo Führer. Portanto, ridicularizar o Primeiro-Ministro israelense, através de em um artigo difamatório depois de um silêncio ensurdecedor quanto aos brutais ataques terroristas dos últimos dias, utilizando sátiras e comentários de opositores políticos, cartunistas e jornalistas pró-Palestina, é a suma expressão da parcialidade que contaminou a imprensa brasileira e que fornece à barbárie uma narrativa totalmente diferente.

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“meme” utilizado por Diogo Beócito em seu artigo na Folha, crédito 972 mag

De acordo com Gabriel Schoenfeld, em seu livro, O Retorno do Antissemitismo, “antigas e modernas expressões do antissemitismo, conseguiram, com sucesso, se unificar nos dias de hoje no mundo muçulmano, e de lá, o ódio contra judeus recebe propulsão mundo afora”. A propulsão à qual Schoenfeld se refere, é a cobertura tendenciosa da imprensa, que manipula informações e garimpa matérias por simpatizar com a causa palestina, desinformando seus leitores sobre judeus e Israel, conforme documentado aqui, aqui e aqui.

Diogo Beócito, também, falhou em informar o contexto do discurso, selecionando trechos especificamente designados para desmoralizar o Primeiro-Ministro israelense. Ao rebater as acusações feitas pelos palestinos sobre mudanças de status quo  planejadas por Israel no Monte do Templo em Jerusalém, Netanyahu fez uma alusão a Husseini, pelo fato de ele ter sido o primeiro líder palestino a levantar tais alegações, precisamente alguns anos antes do Holocausto.

Husseini, que nasceu de família rica e influente em Jerusalém, emergiu como líder dos árabes e muçulmanos fundamentalistas durante o Mandato Britânico da Palestina. Kenneth R. Timmerman registrou em sua pesquisa sobre Husseini, que ele era “ferozmente contra  a presença de judeus na Palestina”, sendo a ele atribuída participação em diversas ondas de violência contra judeus nas décadas de vinte e trinta, que resultaram em centenas de mortos e milhares de feridos.

Evidências de que o islamismo fundamentalista teve ligações com o Nazismo, são fortemente documentadas, como, por exemplo, Paul Longgrear e Raymond McNemar observaram em seu ensaio de 2003, “A conexão nazista árabe-muçulmana”, que quando as leis anti-judaicas de Nuremberg foram promulgadas, telegramas de congratulações a Hitler foram enviados de todo o mundo islâmico, especialmente, de Marrocos e Palestina.

De acordo com David G. Dalin, pesquisador associado na universidade de Stanford, no livro The Myth of Hitler’s Pope,  Husseini viajou várias vezes à Bósnia, onde teria assessorado a SS bósnio-muçulmana, chamadas de “tropas de Hanjar”, que mataram 90 por cento dos judeus da Bósnia e queimaram inúmeras igrejas e vilas sérvias. Também esteve na Alemanha e participou de reuniões com líderes do partido Nazista, tendo inclusive, se encontrado com Hitler.

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Haj Amin al-Husseini encontra-se com Adolf Hitler (Dez/1941), foto: wikipedia

Durante a Segunda Guerra Mundial, Husseini pregou regularmente em programas de rádio para o Oriente Médio. Em 2 de novembro de 1943, menos de três semanas após o massacre de judeus em Roma e do início da ocupação nazista na capital italiana, Husseini utilizou uma rádio alemã para transmitir o seguinte discurso:

“O impressionante egoísmo que reside no caráter judeu, a indigna crença que são o povo escolhido por Deus e a afirmação de que tudo foi criado para eles e que outros povos são animais, os transforma em um povo incapaz de ser confiado. Eles não se misturarm com outros povos, porém vivem como parasitas entre as nações, sugam seu sangue, roubam sua propriedade, corrompem sua moral…”, “…Matem os judeus onde quer que você possa encontrá-los, isso agradará a Deus, à história e à religião”.

Na semana passada, Jibril Rajoub, um líder de longa data do Fatah, partido palestino que controla a Cisjordânia, proferiu os seguintes argumentos em uma entrevista na TV palestina:

“Esses ataques são realizados, claramente, por indivíduos isolados, porém, eles são heróicos”, acrescentando, “a coragem dos mártires deveria se transformar em material documentado e ensinado nas escolas como exemplo de martírio e patriotismo, ao invés de faccionalismo” e por fim, quando perguntado porque não explodir um ônibus ao invés de utilizar facas, ele respondeu “A comunidade internacional não aceitaria ônibus explodindo em Tel Aviv… Porém, quando um colono ou soldado é esfaqueado em terras ocupadas, ninguém faz sequer uma pergunta. Devemos lutar em um forma que mantenha o mundo do nosso lado”.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

O silêncio de comentaristas, blogueiros, jornalistas e editoriais, faltando com a devida documentação dos ataques terroristas das últimas semanas, dos discursos de líderes palestinos clamando para que esfaqueiem judeus, dos discursos de ódio que invadiram a internet palestina incitando à violência, infelizmente, legitimam o terrorismo como forma de militância e resistência, e isso, é inaceitável.

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