A última tempestade de areia, que me lembro, ocorreu há poucos meses atrás, em meados de Fevereiro. Além de levar milhares de crianças e pessoas com problemas respiratórios aos hospitais de Israel, a tempestade trouxe consigo turbulenta eleições parlamentares.

Recordo-me, como se fosse hoje, da polêmica vitória de Benjamin Netanyahu.

Às vésperas das eleições, Netanyahu fez um discurso polêmico. Disse que não existiria Estado palestino durante seu mandato e que Judeus deviam ir as urnas, uma vez que, Árabes estavam comparecendo em massa.

Uma semana antes ele havia sido figura central de outra grande polêmica: foi ao Congresso americano, contra a vontade de Obama, e se posicionou contra o acordo americano com o Irã, arrancando aplausos da bancada republicana e fúria de seus opositores.

Os resultados daquela tempestade todos já conhecem: Netanyahu foi reeleito com maioria no Parlamento, voltou atrás de seu polêmico discurso anti-Palestina e governará Israel com sua coalizão de direita ultrareligiosa. Enquanto isso, o acordo entre os Estados Unidos e Irã foi firmado e a tempestade de areia dissipou-se. Será?

Uma nova tempestade de areia invadiu Israel nesta última Sexta-feira.

Um bebê palestino morreu queimado depois que sua casa fora incendiada na Cisjordânia, no que, aparentemente, parece ter sido causado por extremistas que residem num assentamento judeu das proximidades. O caso teve grande repercussão, com líderes de grupos anti-assentamento, artistas e políticos, includindo Netanyahu, clamando por justiça.

Oficiais israelenses tentam combater este tipo de atentado, que se intensificou nos últimos tempos. O atentado é normalmente realizado por radicais judeus que, normalmente, envolve pichação e incêndio de propriedade palestina na Cisjordânia.

Yair Lapid, do partido de oposição Yesh Atid, em seu blog no jornal Times of Israel, escreveu que “Israel está em guerra interna contra radicais”. Ele afirma que esses grupos não representam Israel, são contra os princípios dos fundadores do Estado e devem ser considerados inimigos, tão como, Hamas, Hezbollah e ISIS.

Não bastasse este episódio trágico, uma jovem de 16 anos, que havia sido esfaqueada por outro lunático extremista na Parada gay em Jerusalém, não resistiu aos ferimentos e faleceu no começo da semana.

Milhares de Israelenses participaram de manifestações, em várias partes do país como Tel Aviv, Jerusalém e Haifa, contra a violência e em respeito as vítimas destes dois tristes episódios.

Enquanto a tempestade não passa, uma pergunta fica no ar: quando os Israelenses irão finalmente respirar o ar puro da tranquilidade?