Ele foi ovacionado.

Foram 43 minutos de discurso acusando Israel de cometer execuções extrajudiciais em territórios palestinos.

Ele foi ovacionado.

Abu Mazen (Mahmoud Abbas) começou seu discurso, proferido na última quinta-feira no Parlamento da União Europeia em Bruxelas, acusando rabinos israelenses de planejar o envenenamento de águas palestinas na Cisjordânia. O trecho, que não foi incluso na transcrição oficial, apareceria tanto no website do Ministério do Exterior da Palestina, como em artigos publicados em veículos da mídia árabe no Oriente Médio.

“Há apenas uma semana, uma semana,
um grupo de rabinos em Israel anunciou, em um anúncio claro, que exigirá de seu governo, que envenenem, envenenem a água dos palestinos… Isto não é incitamento? Não seria isso um incitamento claro do assassinato em massa do povo palestino?”

Abu Mazen, Parlamento Europeu em Bruxelas, 23/06/2016.

Posteriormente, o presidente palestino recusaria o convite de Bruxelas para se reunir com o presidente israelense, Reuven Rivlin, em um conversa que buscaria a retomada das negociações de paz entre os dois povos.

Tal boato, levantado pelo presidente palestino em plena sessão do Parlamento Europeu, foi difundido durante séculos por movimentos antissemitas na Europa. Em pleno ápice da Peste Bubônica, no século quatorze, grupos antissemitas atribuiram a doença aos Judeus, os acusando, como fez Abu Mazen, de envenenar fontes d´água. Na época, milhares de Judeus foram perseguidos, expulsos e centenas foram queimados vivos.

Durante os primórdios do regime nazista, na década de trinta, um periódico antissemita de grande circulação, Der Sturmer, propagandeava acusações extremistas contra Judeus, Homossexuais, Ciganos e Comunistas. Foi este periódico que difundiu o boato de que Judeus abduziam crianças cristãs para utilizar o sangue em rituais macabros.

Der

O períodico nazista, Der Sturmer, propagandeava rituais macabros de judeus com crianças cristãs. Capa de 1934.

Não é a primeira vez que Abu Mazen faz acusações irresponsáveis.

No ano passado, após dois jovens palestinos, um de 13 e outro de 16 anos, esfaquearem um menino judeu na saída de uma loja de doces em Jerusalém, o presidente palestino proferiu um discurso inflamado acusando Israel de executar crianças palestinas. Ele utilizou a foto de um dos agressores abatido pela polícia israelense, porém mal sabia Abu Mazen, que o menino palestino de 13 anos, Ahmed Mansara, tinha sido levado a hospitais israelenses, tratado e se recuperado.

Na semana seguinte, motivados pelo infame discurso de Abu Mazen, inúmeros ataques de lobos solitários palestinos contra civis israelenses ocorreram, resultando em dezenas de israelenses mortos. A onda de violência ainda não acabou e deixou quatro israelenses mortos e dezenas de feridos há poucos dias, em um ataque terrorista no mercado de Sarona, em Tel Aviv.

Está mais do que na hora de Abu Mazen entender que semear o ódio contra israelenses não é o caminho para conseguir a criação do Estado da Palestina. Pelo contrário, medidas assim somente afastam as perspectivas de diálogo. Os membros do Parlamento Europeu, que ovacionaram o discurso do presidente palestino, deveriam se envergonhar de compactuar com estas acusações irresponsáveis.

Fica fácil de entender por que os ingleses decidiram se afastar do bloco.