A cara de pau do Estadão

Desde a última guerra, entre Israel e Hamas, que prometi não ler o Estadão. Porém, depois do meu último artigo, alguns amigos me disseram que o mesmo ocorre em outros jornais brasileiros. Então decidi dar uma olhada na seção internacional do Estadão: só lendo para crer!

Esta foi a manchete de hoje: Em novos episódios de violência, dois palestinos são mortos em Jerusalém.

A matéria se refere as medidas que o governo israelense tomou, em caráter de urgência, para conter a onda de violência palestina na cidade de Jerusalém. Poucos paragráfos são suficientes para que, o leitor bem informado, entenda a linha editorial do jornal.

Primeiro, eles dizem que “forças israelenses atiraram e mataram um adolescente palestino”, e que “várias testemunhas palestinas” disseram que o jovem não atacou ninguém.

Vejam a imagem do “agressor” abaixo e tirem suas prórpias conclusões.

Fonte: Stand With Us

A matéria continua e diz que uma “mulher” de 50 anos, ela tinha quase 70 anos na verdade, foi esfaqueada por um “homem” – Palestino?, na estação central de ônibus em Jerusalém oriental – hein?. Vamos verificar o mapa.


Fonte: Google Maps

A não ser que as aulas de geografia não serviram-me de nada, a estação central de ônibus de Jerusalém situa-se na parte Ocidental da cidade, mais precisamente na região Noroeste.

Estas foram as únicas mensões sobre ambos os atentados – parece brincadeira, mas é triste, sendo ambos os “agressores” mortos pela ação da polícia – daí o título da matéria. Ela continua contando as medidas de segurança tomadas pelo governo israelense, ignorando, totalmente, a gravidade dos atentados ocorridos hoje.

Obviamente, algumas fotos ilustrativas foram colocadas na matéria mostrando Palestinos protestando e policiais isralenses que lançam bombas de fumaça. Interessante que nenhuma foto mostrou os ataques dos últimos dias, embora centenas estão disponíveis na internet.

Para piorar, a matéria falha em reportar que um dos ataques em um ônibus na cidade de Jerusalém deixou, nada mais nada menos, que dois mortos e dezenas de feridos.

A última desinformação vem na seguinte linha “Em duas semanas de violência por esfaqueamentos, tiros e atentados com carros, 7 israelenses e 30 palestinos, incluindo agressores e crianças, morreram”. E na minha opinião, esta é a mais perigosa.

Primeiro, pela omissão na descrição do lado Isralense, tipo “civis”, desumanizando às vítimas, banalizando o contexto em que foram brutalmente assassinadas e as transformando somente em um número.

Segundo, por oferecer um contexto matemático ao assunto, como se fosse um placar de futebol, onde 7 não é nada comparado à 30 – uma verdadeira goleada de agressão israelense.

Terceiro, por chamar de “agressores” os perpetuadores de ataques terroristas, minimizando o contexto e a brutalidade com que os atos foram praticados.

Por fim, faltam com a verdade em omitir que estes “agressores” morreram porque a maneira de conter os ataques foi através da ação policial. Isto é verificado, novamente, nos inúmeros vídeos disponíveis na internet. Vejam aqui a lista das vítimas israelenses mortas nos ataques dos últimos dias e as circunstâncias em que morreram.

Acredito ser extremamente legítimo: simpatizar com a causa palestina, condenar o governo isralense pela expansão dos assentamentos na Cisjordânia e frustar-se com a falta de solução para o Estado palestino.

Porém, banalizar as vítimas isralenses, inocentizar ataques  terroristas, disturpar a realidade e desinformar seus leitores, além de uma extrema falta de respeito aos príncipios de objetividade, imparcialidade e ética que resguardam as raízes do jornalismo, é um inaceitável adultério à nossa inteligência, dignidade e humanidade.

Francamente, ler o Estadão, só se for a seção de classificados.

About the Author
Fazendo frente ao mundo de desinformações que assolam editoriais e movem teclados contra Israel. Daniel é mestre em Economia Financeira, Professor e Pesquisador Assistente na Faculdade IDC Herzliya. Siga-me no Facebook.
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