Adriana Carranca e a arte de desinformar

Na realidade paralela de Adriana Carranca, colunista do Estadão, as escolas israelenses e palestinas ensinam ódio mútuo, os professores reforçam estereótipos e induzem as crianças a temerem seus vizinhos, sendo estas as causas da recente onda de violência para além dos muros. Mais uma pérola para a “brilhante” cobertura daquele jornal sobre Israel.

A pesquisa na qual Adriana diz basear suas informações – ela não menciona os devidos créditos – foi fortemente contestada na época por falhar em apresentar solidez e significância econométrica, além de apresentar fortes evidências de manipulação dos dados, como, por exemplo a inclusão de grande número de escolas ultra-ortodoxas israelenses e a omissão de escolas islâmicas palestinas. O estudo foi, portanto, ignorado por jornais científicos do mundo acadêmico e contestado por autoridades educacionais israelenses.

Interessante é observar que inúmeros estudos realizados por pesquisadores de renome, como no caso de Arnon Groiss, forte crítico do material didático palestino, passaram despercebidos aos olhos da colunista, que parece ter realizado uma busca cirúrgica por suposto repaldo às informações prestadas na matéria. Ora, uma pessoa pode ter suas próprias opiniões; porém, não pode ter seus próprios fatos. A menos que seu objetivo não seja realmente esclarecer.

Além do mais, a idéia principal da pesquisa foi a de desmistificar as acusações do Ministério de Educação de Israel de que o material didático palestino apresentaria incitação ao ódio e à desumanização de Judeus. Após três anos de pesquisa em material didático palestino, foram encontradas somente 6 citações sobre ódio em 10.000 páginas de livros e apostilas, levando à conclusão de que é rara a abordagem do assunto tanto em material didático palestino, como no israelense. Ou seja, exatamente o oposto do que Adriana afirma em sua coluna.

É claro que nem tudo é perfeito, não sejamos ingênuos. Os materiais didádicos de ambos os lados omitem a existência dos respectivos Estados no mapa e possuem diferentes versões de momentos históricos, como, por exemplo: 14 de maio de 1948 é tratado como Dia da Independência (Yom Ha’atzma’ut) em textos israelenses e como Dia da Catástrofe (Nakba) em textos palestinos. Porém, mais do que um reflexo de ódio mútuo, como a colunista induz o leitor a acreditar, o motivo é a disputa político-territorial entre israelenses e palestinos.

Quanto à trágica morte to bebê palestino em um incêndio causado, supostamente, por judeus extremistas na Cisjordânia, o Primeiro-Ministro israelense, por diversas vezes, condenou este tipo de ataque e a polícia israelense prendeu suspeitos envolvidos em ataques semelhantes. Entretanto, o presidente da Autoridade Palestina ainda não se pronunciou quanto aos atentados ocorridos nas últimas semanas em Israel e é notória a glorificação dos agressores palestinos.

Também é fato conhecido que a recente onda de violência eclodiu às vésperas dos feriados judaicos, quando palestinos alegaram alteração no status quo na esplanada das mesquitas. Intensificou-se após o pronunciamento de Mahmoud Abbas na ONU divulgando que a Autoridade Palestina abandonaria os acordos de Oslo, anunciando o fim dos tratados de paz com Israel. Finalmente, a situação ficou ainda mais séria depois de uma forte propaganda na mídia e nas redes sociais palestinas incitando jovens a matarem judeus em nome da salvação de Jerusalém e da mesquita Al-Aqsa.

Por fim, a colunista desconhece a realidade geopolítica da região, dizendo que israelenses e palestinos não se conhecem, quando milhares de palestinos trabalham em Israel, possuem parentes no país, estudam em instituições israelenses, ou trabalham em empresas israelenses na Cisjordânia. Não fosse o acesso de palestinos a Israel, Adriana, como teriam jovens palestinos realizado atentados em Jerusalem, Ra’anana e Tel Aviv? Como foi o caso de Alaa Abu Jamal, palestino, motorista da compania israelense de telefonia Bezeq, que utilizou o carro da empresa para atropelar, e depois, esfaquear duas pessoas em Jerusalém.

Nunca vi tanta desinformação reunida em um só artigo.

About the Author
Fazendo frente ao mundo de desinformações que assolam editoriais e movem teclados contra Israel. Daniel é mestre em Economia Financeira, Professor e Pesquisador Assistente na Faculdade IDC Herzliya. Siga-me no Facebook.
Related Topics
Related Posts
Comments