Estados Patrocinadores do Terrorismo: Entenda Por Que o Irã Encabeça a Lista

O Departamento de Estado dos Estados Unidos, através do Bureau de Contraterrorismo e Combate ao Extremismo Violento, divulgou a lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo.

O Irã, considerado como um Estado Patrocinador do Terrorismo desde 1984, continuou com atividades associadas ao terrorismo em 2015, incluindo suporte ao Hezbollah, a grupos terroristas palestinos em Gaza e vários grupos no Iraque, Síria e Bahrein, segundo o relatório.

Além disso, o documento aponta que o Irã forneceu treinamento, auxílio financeiro e suporte militar a grupos terroristas xiitas iraquianos, incluindo Kata’ib Hezbollah (KH), considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, como parte de um esforço para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) no Iraque e reforçar o regime de Assad na Síria.

O relatório conclui que o Irã utilizou a Guarda Revolucionária-Qods Força Islâmica (IRGC-QF) para alcançar objetivos de política externa, fornecer cobertura para operações de inteligência e criar instabilidade no Oriente Médio. Sendo, portanto, o principal meio pelo  qual o Irã mantém apoio a grupos terroristas no exterior.

Confira abaixo os motivos que levaram o Irã a encabeçar a lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo pelo Departamento de Estado dos EUA.

Operações na Síria

Irã vê o regime de Assad, na Síria, como um aliado fundamental para a sua frente de “resistência”, que inclui outros grupos nacionalistas, e um elo  com o Hezbollah, principal beneficiário e sócio terrorista do Irã na região.

Além de seu apoio ao Hezbollah na Síria, o Irã continuou a fornecer armas, financiamento e treinamento a combatentes xiitas do Iraque, Afeganistão e Paquistão , apoiando a repressão brutal do regime Assad e resultando na morte de mais de 250.000 pessoas na Síria.

O Irã reconheceu as mortes de pessoas ligadas ao país na Síria durante 2015, incluindo a de vários comandantes, e aumentou os número das tropas iranianas – afirmando publicamente que as forças iranianas exerceram somente um papel consultivo.

Operações no Iraque

No Iraque, as forças de combate iranianas utilizaram foguetes, artilharia e aviões contra ISIL. O Irã também aumentou o seu armamento e financiamento de grupos terroristas xiitas iraquianos, em um esforço para reverter as vitórias do ISIL no país.

Muitos destes grupos, como o KH, exacerbaram as tensões sectárias no Iraque e cometeram graves violações dos direitos humanos contra civis – principalmente sunitas. O IRGC-QF, em conjunto com o Hezbollah, tanto forneceu treinamento fora do Iraque, como concedeu suporte dentro do Iraque aos militantes xiitas durante a construção e na utilização de equipamentos militares avançados.

O mesmo ocorreu em relação aos combatentes do Hezbollah, onde muitos destes militantes xiitas, treinados pelo Irã, têm sido utilizados na luta do regime de Assad, na Síria, ou contra ISIL, no Iraque.

Operações no Bahrein

O Irã também forneceu armas, financiamento e treinamento para militantes xiitas no Bahrein. Em 2015, o governo do Bahrein descobriu, invadiu e interditou inúmeros esconderijos de armas, patrocinadas pelo Irã, que deveriam chegar às   mãos de militantes anti-governo. O governo do Bahrein descobriu também instalações de fabricação de bombas com mais de 1.5 toneladas de explosivos de alta qualidade, em setembro daquele ano.

Operações em Gaza e Cisjordânia

O Irã tem historicamente fornecido armas, treinamento e financiamento para o Hamas e outros grupos terroristas palestinos, incluindo a Jihad Islâmica Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina.

Estes grupos terroristas palestinos estão por detrás de inúmeras mortes em ataques oriundos de Gaza e da Cisjordânia. Embora os laços entre  Hamas e Teerã tenham enfraquecido  devido à guerra civil síria, ambos os lados tomaram medidas em 2015 para reparar as relações.

O Irã continuou declarando o seu apoio verbal aos grupos terroristas palestinos e manteve as hostilidades contra Israel em 2015. O Secretário do Conselho de Segurança, Almirante Ali Shamkhani, tentou enquadrar uma série de ataques individuais  palestinos contra as forças de segurança israelenses na Cisjordânia, como uma nova “intifada”, em um discurso em 25 de novembro.

Operações no Líbano

Desde o fim do conflito de 2006, entre Israel e Hezbollah, que o Irã vem ajudando no reamarmento do Hezbollah, uma violação direta da Resolução 1701.

O Irã enviou centenas de milhões de dólares ao Hezbollah no Líbano e tem treinado milhares de combatentes em centros militares iranianos. Estes combatentes têm usado essas habilidades em apoio direto ao regime de Assad na Síria e, em menor grau, em apoio às  operações contra ISIL no Iraque. Eles também realizaram ataques isolados ao longo da fronteira libanesa com Israel.

Omissão

O Irã continua opondo-se a levar à justiça os líderes da Al-Qaeda (AQ) e recusa-se a identificar, publicamente, os integrantes do grupo  sob sua custódia. O governo iraniano facilitou previamente as operações da AQ num gasoduto através do seu território desde 2009, permitindo que a AQ deslocasse fundos e combatentes para o Sul da Ásia e para a Síria.

Acesse aqui o documento completo.

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Fazendo frente ao mundo de desinformações que assolam editoriais e movem teclados contra Israel. Daniel é mestre em Economia Financeira, Professor e Pesquisador Assistente na Faculdade IDC Herzliya. Siga-me no Facebook.
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