PSOL, as lições que deveriam aprender.

A definição de antissemitismo aceita pelas maiores democracias ao redor do planeta (tais como Austrália, Alemanha, Áustria, Canadá, Dinamarca, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido, Suíça, Espanha, Bélgica e Estados Unidos, entre outros) é a da IHRA, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto.

Segundo a IHRA, “exemplos contemporâneos de antissemitismo na vida pública, na mídia, nas escolas, no local de trabalho e na esfera religiosa podem, levando em consideração o contexto geral, incluir, mas não estão limitados (…)” – cito alguns dos exemplos abaixo:

  • Negar ao povo judeu seu direito à autodeterminação, por exemplo, alegando que a existência do Estado de Israel é um esforço racista.
  • Aplicar padrões duplos, exigindo do Estado de Israel um comportamento não esperado ou exigido de qualquer outra nação democrática.
  • Fazer comparações da política israelense contemporânea com a dos nazistas.

Em tempos de polarizações, fake News, ingênuos e até uns idiotas úteis, assisto alarmado a conversão pré-eleitoral de um partido e do seu postulante a prefeito de São Paulo, de invasores pró BDS a bastiões de todas as virtudes.

Provas de sua torpeza não faltam:

É uma incoerência absurda que beira a hipocrisia apontar, com toda a razão, os casos de ódio relacionados ao atual  governo federal, e ao mesmo tempo relevar e até acobertar os casos de ódio do PSOL.

Basta dar uma “folheada” no site do partido, para ver a proximidade com organizações e ditaduras sanguinárias, misóginas, homofóbicas e antissemitas como por exemplo o apoio ao Irã (cuja ditadura teocrática enforca gays, prende mulheres sem Hijab e persegue minorias religiosas como os Baha’is), à Venezuela (a despeito de toda a miséria, assassinatos, perseguições que o Chavismo trouxe), à Coréia do Norte (onde liberdade é um conceito desconhecido), ao BDS (que postula por um Estado Palestino não ao lado, mas no lugar de Israel), entre tantos.

É verdade que o prefeito de São Paulo não cuida diretamente de assuntos internacionais ou relacionados a Israel, mas a questão aqui não é técnica, é moral! É inadmissível que o prefeito da maior, mais rica, mais importante e, quiçá, mais influente cidade da AL, fomente e dissemine tudo aquilo que deveria ser abominável, e que ele mesmo e seu partido dizem, hipocritamente, combater.

Não podemos relevar a conivência das lideranças do PSOL no que se refere ao antissemitismo. Não é só a bandeira de Israel sendo queimada em um protesto ou os muitos exemplos de casos dentro e na esfera do partido, que inclusive levou à saída de membros judeus e filosemitas, é muito mais.

Não se trata de fazer uma campanha a favor do Covas, longe disto, se não se sente confortável também, anule. Mas não podemos entregar a chave da cidade para uma pessoa com alianças vergonhosas com ditaduras, que tira selfie em monumento a terroristas que assassinaram mulheres e crianças israelenses ao invés de lutar por um Estado palestino democrático em paz e prosperidade ao lado de Israel.

Demonizam, deslegitimam e aplicam o critério de “dois pesos, duas medidas” única e exclusivamente contra o judeu entre as nações, como se este fosse o único mal do mundo, fomentando o antissemitismo numa cidade tão plural como São Paulo. Ao mesmo tempo se calam aos horrores contra minorias, como na China (não há sequer um artigo sobre os absurdos campos de concentração de muçulmanos uigures), no Irã e na Coreia do Norte, entre tantos exemplos infinitamente maiores e mais sanguinários e se calam.

Ariel Krok

About the Author
Ariel é administrador de empresas formado em Comercio Exterior no Mackenzie, tem um MBA em Marketing na ESPM e Curso de Especialização em Liderança Empresarial e Comunitária na Instituição de ensino superior e pesquisa Insper e no Instituto Rutenbergem em Haifa - Israel. É palestrante ativo com apresentações em escolas, sinagogas, centros comunitários, igrejas, clubes, etc, com 25 anos de voluntariado comunitário como monitor, instrutor, dirigente e diretor de instituições. Há mais de 22 anos é um estudioso e entusiasta da historia, política, diplomacia e geografia no mundo mas principalmente do Oriente Médio. Morou em Israel e já retornou mais de uma dúzia de vezes para lá e para outros países da região (Egito, Territórios Palestinos ..). Em várias oportunidades teve contatos, encontros, discussões com diversas autoridades, formadores de opinião e jornalistas, em Israel, EUA e Brasil. Escreve artigos publicados em diversas mídias, como a Revista Shalom, Blog do Jornal Times of Israel, Tribuna Judaica e Portais como Pletz, WebJudaica, sites, etc ... Membro do SC (Steering Committee) do JDC (Jewish Diplomatic Corps) braço diplomático do WJC (World Jewish Congress) guarda-chuva de mais de 100 comunidades em todo mundo, Diretor na JJO (Juventude Judaica Organizada), membro do Conselho do Fundo Comunitário Jovem e membro do Conselho da Hebraica.
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