UNESCO e a islamização do Muro das Lamentações

Em breve, será votado na UNESCO, em Paris, a decisão se o Muro das Lamentações será considerado parte da mesquita Al-Aqsa e al-Haram al-Sharif, ou seja, uma tentativa de islamizar o local mais sagrado da fé judaica.

O pedido de islamização foi solicitado pelo Egito, Tunisia, Algeria, Marrocos, Kuwait e Emirados Árabes Unidos em nome da Autoridade Palestina, ao corpo executivo da UNESCO, que é conhecido por publicamente condenar as ações israelenses em Jerusalém, Cisjordânia e Gaza.

O documento enviado, em momento algum menciona a história judaica em Jerusalém, ignorando, totalmente, que o muro das lamentações é parte do que sobrou do primeiro templo, construído há 3,000 anos, e destruído pelos babilônios em 586 antes de Cristo, e do segundo templo, reconstruído durante o retorno do cativeiro na Babilônia, mais de 2,500 anos atrás.

Muro
Milhares de Judeus rezam  no Muro das Lamentações durante a cerimônia de Sukkot, 30 de Setembro de 2015 (Foto: Flash90)

Durante o Império Romano, as legiões do general Tito destruíram o segundo templo e o muro externo foi a única parte que sobrou. Segundo historiadores, Tito ordenou que não derrubassem este muro para que os Judeus lembrassem sempre da derrota de Judeia para Roma. Daí o nome de Muro as Lamentações. De acordo com a fé judaíca, D’us protegeu essa parte do templo para que os Judeus pudessem pregar sua fé.

É uma trágica ironia, que, enquanto o governo israelense reconhece ativamente locais sagrados muçulmanos em Jerusalém e em todo o país, protegendo a liberdade de culto, os palestinos e seus aliados no executivo da UNESCO, estão tentando diminuir, negar ou substituir a inegável conexão judaica a locais sagrados em Jerusalém, dias após palestinos terem ateado fogo no Túmulo do Patriarca José na Cisjordânia.

Com a violência palestina em Israel aumentando a cada dia, 10 isralenses foram mortos e dezenas feridos até o momento. O motivo deste surto de fúria extremista deve-se a rumores já desmentidos de que haveria mudanças no status quo na região do Monte do Templo por parte do governo israelense.  Retrata-se, nesta resolução que será votada em breve na UNESCO, exatamente o contrário. São os palestinos que desejam tomar posse de locais judaicos, como o Muro das Lamentações, Caverna dos Patriarcas e Túmulo de Raquel, auxiliados por países árabes e com a conivência da UNESCO.

Este pedido de islamização do Muro das Lamentações, além de ferir, profundamente, a fé judaica, é uma tentativa ultrajante de tentar reescrever a densamente documentada história do local. Isto demonstra como uma organização que deveria proteger a história e patrimônio da humanidade tornou-se um veículo político que defende os interesses árabes e, em particular, palestinos na região.

O corpo executivo da UNESCO já condenou por diversas vezes ações israelenses, porém, fica difícil de acreditar que aceitarão a islamização do Muro das Lamentações, pois se o fizerem, a atual onda de violência só tende a piorar. Vale lembrar, entretanto, que a UNESCO foi a primeira organização internacional a reconhecer o estado palestino em 2011. Portanto, tudo é possível.

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Fazendo frente ao mundo de desinformações que assolam editoriais e movem teclados contra Israel. Daniel é mestre em Economia Financeira, Professor e Pesquisador Assistente na Faculdade IDC Herzliya. Siga-me no Facebook.
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